8 parâmetros do tênis de corrida para ajudar a escolher o par certo

Seja o senhor um corredor experiente ou iniciante, provavelmente já se perguntou: quais são os melhores tênis de corrida para mim? Dependendo dos hábitos de treino, das possíveis lesões ou das metas de desempenho, encontrar o tênis certo pode parecer uma tarefa árdua.

As marcas costumam anunciar seus tênis como mais "confortáveis", "reativos" ou "feitos para o desempenho", mas essas afirmações genéricas raramente consideram o estilo de corrida e as necessidades físicas de cada pessoa.

Vamos examinar mais de perto os principais componentes de um tênis de corrida e oito parâmetros essenciais para ajudar a fazer uma escolha informada.

Anatomia de um tênis de corrida

Um tênis de corrida é composto de várias camadas, cada uma com uma finalidade específica. Compreender essas partes básicas ajuda a esclarecer como as diferentes tecnologias do calçado afetam a corrida:

  • Cabedal (upper): o tecido e o material que envolvem a parte de cima do pé.
  • Palmilha interna (sockliner): a camada removível dentro do tênis, que oferece conforto adicional e dá forma.
  • Entressola: a camada de espuma ou de amortecimento entre a sola externa e a palmilha. É dela que vem a maior parte do suporte e da reatividade do tênis.
  • Sola externa: a parte de borracha que toca o chão, oferecendo aderência e durabilidade.

Figura 1: Design dos parâmetros dos tênis de corrida (Mai et al. 2023).

8 parâmetros essenciais do tênis de corrida

Vamos detalhar oito características importantes dos tênis de corrida, o que significam e como podem influenciar a experiência de corrida.

1. Espessura da entressola

A espessura da entressola indica quanta espuma existe entre o pé e o chão. Uma entressola mais espessa geralmente oferece mais amortecimento, o que pode ajudar a reduzir as forças de impacto, sobretudo em corridas longas ou em superfícies duras (Law et al. 2019). No entanto, espessura demais pode reduzir a sensação do solo e a estabilidade (Barrons et al. 2023), algo que alguns corredores preferem preservar.

Faixas típicas:

  • Baixa: menos de 2 mm
  • Média: entre 2 e 7 mm
  • Alta: mais de 7 mm

2. Drop (diferença de altura entre calcanhar e ponta)

Também chamado de "drop do calcanhar" ou "offset", é a diferença de altura entre o calcanhar e o antepé do tênis. Costuma variar de 0 mm (tênis minimalistas) a 12 mm (tênis tradicionais), mas também pode ser negativo, quando a parte da frente do tênis é mais alta que a de trás.

Faixas típicas:

  • Nenhum: 0 mm
  • Pequeno: entre 4 e 8 mm
  • Alto: mais de 8 mm
  • Negativo: menos de 0 mm

3. Dureza (ou maciez) da entressola

Descreve o quão firme ou macio é o amortecimento sob o pé. Medida com um durômetro, a dureza influencia a absorção de impacto (Baltich 2015), o retorno de energia (Willwacher et al. 2014) e a estabilidade (Dixon et al. 2015; Sterzing et al. 2013).

Faixas típicas:

  • Macia: menos de 25 na escala Shore A
  • Média: entre 25 e 35 na escala Shore A
  • Dura: mais de 35 na escala Shore A

4. Placa de carbono

Muitos tênis de corrida de alto desempenho hoje trazem uma placa de fibra de carbono embutida na entressola. Essa placa funciona como uma alavanca, aumentando a propulsão e melhorando a eficiência energética (Beck et al. 2020; Oh & Park 2017; Cigoja et al. 2021), sobretudo em provas.

Classificação de rigidez :

  • Sem placa
  • Placa rígida: entre 20 e 40 N/mm
  • Placa muito rígida: mais de 40 N/mm

5. Tênis de controle de movimento

Os tênis de controle de movimento são concebidos para limitar o rolamento excessivo do pé para dentro (hiperpronação) (Alcantara et al. 2018; Kreting & Bruggemann 2006). Incluem recursos como suportes mediais (medial posts) ou contrafortes do calcanhar mais rígidos para estabilizar o pé a cada passada.

Tipos de tênis:

  • Tênis neutros
  • Tênis de controle de movimento
  • Tênis com suporte de arco

6. Rigidez à flexão

A rigidez à flexão indica o quanto a sola do tênis (principalmente a entressola e a sola externa) resiste à flexão, em especial no antepé durante a impulsão (Roy & Stefanyshyn 2006; Day & Hahn 2020; Flores et al. 2019).

Tipos de tênis:

  • Baixa rigidez: menos de 20 N/mm
  • Rigidez média: entre 20 e 40 N/mm
  • Alta rigidez: mais de 40 N/mm

7. Rocker (sola curva)

Os tênis com rocker são concebidos com uma sola curva que ajuda o pé a rolar com suavidade, do apoio do calcanhar à impulsão (Munim et al. 2025; Hutchins et al. 2009; Hoitz et al. 2020).

Tipos de tênis:

  • Com rocker
  • Sem rocker

8. Peso do tênis

O peso do tênis corresponde à massa do tênis de corrida. Ele desempenha um papel decisivo na velocidade, na eficiência e no conforto percebidos na corrida (Relph et al. 2022; Dinato et al. 2020; Perkins et al. 2014; Khorramroo & Moussavi 2022).

Tipos de tênis:

  • Minimalista (barefoot)
  • Leve
  • Médio
  • Pesado

Como escolher o tênis certo?

Compreender esses parâmetros é apenas o começo. O melhor tênis depende de uma combinação de fatores:

  • A altura e a massa corporal
  • O nível de corrida e a carga de treino
  • Eventuais lesões passadas ou atuais
  • O nível de conforto preferido
  • Os tênis anteriores
  • E, acima de tudo: a forma de corrida

É aqui que as coisas se complicam, mas não há motivo para preocupação: estamos trabalhando nisso!

No Ochy, estamos desenvolvendo um recurso de recomendação inteligente para ajudar a encontrar o tênis ideal com base em como cada um corre. Fiquem atentos e, enquanto isso, é possível baixar o aplicativo para analisar a forma de corrida e receber um retorno personalizado:

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Referências

  • Law, M., Soo, J., & Menz, H. B. (2019). The effect of running shoe midsole thickness on impact forces and running economy. Journal of Science and Medicine in Sport, 22(8), 921–926.
  • Barrons, K., Bishop, C., & Norris, M. (2023). Ground feel and stability in relation to midsole thickness in running shoes. Footwear Science, 15(2), 101–113.
  • Baltich, J., Maurer, C., & Nigg, B. M. (2015). The effect of midsole hardness on running biomechanics. Journal of Applied Biomechanics, 31(5), 362–368.
  • Willwacher, S., König, M., Braunstein, B., Goldmann, J. P., & Brüggemann, G.-P. (2014). The influence of midsole hardness on energy return and running economy. Footwear Science, 6(3), 159–167.
  • Dixon, S. J., Collop, A. C., & Batt, M. E. (2015). Compensatory adjustments in lower limb biomechanics with varying cushioning in running shoes. Medicine & Science in Sports & Exercise, 47(7), 1439–1446.
  • Sterzing, T., Schweiger, V., Ding, R., & Cheung, J. T.-M. (2013). Influence of shoe midsole hardness on running kinematics and plantar pressure. Footwear Science, 5(2), 71–79.
  • Beck, O. N., Kipp, S., & Kram, R. (2020). Running economy improvement with a carbon fiber plate in shoe midsoles. Sports Medicine, 50(2), 293–302.
  • Oh, K., & Park, S. (2017). The role of a stiffened midsole with carbon-fiber plate on running performance. Journal of Biomechanics, 60, 15–21.
  • Cigoja, S., Fletcher, J. R., & Nigg, B. M. (2021). Mechanical function of carbon-fiber plates in running shoes. Sports Biomechanics, 20(6), 693–708.
  • Alcantara, R. S., et al. (2018). Effects of motion control shoes on running kinematics and overpronation. Gait & Posture, 64, 153–159.
  • Kreting, M., & Brüggemann, G.-P. (2006). Stability features of motion control shoes and their impact on overpronation. Footwear Science, 1(1), 17–25.
  • Roy, J.-P. R., & Stefanyshyn, D. J. (2006). Shoe bending stiffness and its influence on running mechanics and economy. Journal of Biomechanics, 39(9), 1611–1618.
  • Day, E. M., & Hahn, M. E. (2020). Forefoot bending stiffness in footwear and implications for running performance. Footwear Science, 12(2), 123–133.
  • Flores, N., Delattre, N., Berton, E., & Rao, G. (2019). Effect of sole bending stiffness on running biomechanics and energetics. European Journal of Sport Science, 19(6), 749–757.
  • Munim, M. A., et al. (2025). Biomechanical effects of rocker shoes on running and walking. Footwear Science, 17(1), 45–59.
  • Hutchins, S., Bowker, P., Geary, N., & Richards, J. (2009). The biomechanics and clinical effectiveness of rocker-soled shoes. Clinical Biomechanics, 24(1), 84–91.
  • Hoitz, F., Mohr, M., & Brauner, T. (2020). Rocker shoes and their impact on gait mechanics in running and walking. Gait & Posture, 77, 269–275.
  • Relph, N., Greig, M., & Walker, A. (2022). Running shoe mass and its impact on performance and fatigue. Sports Biomechanics, 21(3), 367–379.
  • Dinato, R. C., et al. (2020). Influence of shoe weight on running economy. Journal of Sports Sciences, 38(2), 123–131.
  • Perkins, K. P., Hanney, W. J., & Rothschild, C. E. (2014). The influence of shoe weight on running performance and biomechanics. Journal of Strength and Conditioning Research, 28(4), 911–918.
  • Khorramroo, S., & Moussavi, Z. (2022). Effects of running shoe weight on efficiency and fatigue. Footwear Science, 14(3), 177–186.

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