Se não é possível dar três passadas sem dor ao longo da canela, se não se consegue apoiar o peso sobre ela, ou se há uma sensação de queimação e dor ao levantar o pé em direção ao céu, provavelmente trata-se da chamada canelite.

A tíbia é recoberta por uma membrana muito fina, fibrosa e esbranquiçada, chamada periósteo, e é quando essa membrana se inflama que ocorre a chamada canelite.

É importante saber que o impacto do pé no solo é três vezes maior na corrida do que na caminhada. A cada passada, uma onda de choque sobe pela tíbia, e é por isso que a periostite é muito comum em corredores. Quem corre geralmente em superfícies duras (asfalto ou esteira, por exemplo) ou usa calçados inadequados fica mais propenso a ter canelite. Para dar uma compreensão "aproximada" do que acontece, gosto de interpretar da seguinte maneira: a cada passada, e ainda mais se o ciclo de corrida tem pisada com o calcanhar, a membrana fibrosa vai se "descolando" do próprio osso, e pequenas bolhas de ar se introduzem entre o osso da canela e a membrana.

O que fazer para tratar a canelite?
É necessário, portanto, tomar medidas para evitar a dor e, sobretudo, fazê-la desaparecer (sensação de queimação = inflamação). No início, é essencial reduzir toda a atividade física para evitar um agravamento, como uma fratura por estresse. Para reduzir a dor e a inflamação, pode-se aplicar uma bolsa de gelo por 20 minutos, várias vezes ao dia. (O mais eficaz é fazê-lo por 20 minutos a cada duas horas.) Para quem tiver coragem, é ainda mais eficaz "mergulhar" os pés em uma bacia de gelo por 5 minutos.

Aconselho marcar uma consulta com o médico para que ele prescreva sessões de fisioterapia. Não se deve esperar massagens suaves nesse atendimento, mas essas sessões de reabilitação serão essenciais para evitar qualquer fratura por fadiga ou agravamento. Em casa, diariamente e se o fisioterapeuta autorizar, é possível massagear ao longo da canela (com a mão ou com uma colher). Sentem-se pequenas bolhas de ar estourando (isso significa que a membrana está se reposicionando sobre o osso). Para limitar a dor causada pelas vibrações a cada passo no impacto com o solo, não se deve hesitar em usar meias de compressão (vendidas em farmácias ou em lojas esportivas especializadas em corrida).

Que tipos de calçado escolher?
Se o hábito é andar descalço (o que geralmente é bom para que o pé funcione de forma fisiológica), isso deve ser evitado em caso de periostite. Em caso de dor, deve-se dar preferência a calçados com amortecimento, a fim de reduzir as vibrações causadas pela pisada com o calcanhar ao caminhar. Chinelos ou calçados abertos atrás (pantufas, sandálias, crocs etc.) também devem ficar guardados no armário por um tempo. Esse tipo de "calçado" não oferece nenhum apoio, e os músculos do pé trabalharão demais. É o oposto do que se procura.

Retomando as atividades esportivas
Quando a dor tiver desaparecido, é preferível optar por treinos no gramado ou na floresta. Começa-se com uma sessão de caminhada rápida ou de trote lento, para que o corpo se acostume ao esforço. Convém também dedicar tempo ao trabalho da qualidade da passada, a fim de evitar impactos violentos no solo. Ao correr, a pisada com o calcanhar deve ser evitada! É a pisada com o médio-pé que deve ser trabalhada e incentivada, para permitir um ciclo de avanço mais fisiológico. Os detalhes do ciclo de corrida estarão no meu próximo blog.
